O CACADOR DE PIPAS EPUB BAIXAR

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postado por Rosette

O CACADOR DE PIPAS EPUB BAIXAR

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    O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e. O Caçador De Pipas - documento [*.epub] Khaled Hosseini O cacador de pipas Romance TRADUCAO DE MARIA HELENA ROUANET Este. O caçador de pipas narra a tocante história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos que vivem no Afeganistão da década de

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    Nao me esqueca - Cecily Von Ziegesar. Querido E Devotado Dexter. Interligados - Gena Showalter. José Saramago - A caverna. Isaac Asimov — O Futuro Começou. Undead v1. A Garota que Perseguiu a Lua. Estavam todos errados. Historias da meia - Machado de Assis.

    O Caçador De Pipas - documento [*.epub] Khaled Hosseini O cacador de pipas Romance TRADUCAO DE MARIA HELENA ROUANET Este. O caçador de pipas narra a tocante história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos que vivem no Afeganistão da década de Baixar Livro O Caçador de Pipas. “Uma narrativa insólita e eloqüente sobre a frágil relação entre pais e filhos, entre os seres humanos e seus. Alguém tem o livro O Caçador de Pipas de Khaled Hosseini em PDF. Show trimmed Link para baixar davidarseneaultproductions.info pipas-khaled-hosseini-em-epub-mobi-e-pdf/. Show trimmed. Compre O CACADOR DE PIPAS, do(a) KOBO EDITIONS. Confira as melhores ofertas de Livros, Games, TVs, Smartphones e muito mais.

    O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. O Hobbi t, de J. R Tolkien.

    Shakespeare no cinema. Conheça as principais obras do Bardo em suas melhores versões para a telona. Falstaff é o conselheiro do príncipe, interpretado pelo diretor. É excelente, mas difícil de encontrar nas locadoras Postado por profmari às Marcadores: filme e livro. Quem sou eu profmari Marilda. Sempre enrolada como uma novela mexicana. Amiga dedicada. Valoriza a família. Tem muitos amigos. Gosta de ler e escrever, de cinema e do silêncio. Ama viajar.

    Prefere as artes. Odeia erros grotescos de português. Nem sempre sabe demonstrar o que sente pelas pessoas. É muito sincera. Inconstante e fala o que pensa, dois grandes defeitos. Pensa demais nas coisas.

    Perdida em uma bilioteca: Breaking Sin - Teresa Mummert

    Pensa em abrir uma livraria quando se aposentar. Também é muito calma e perdoa logo. Para estas, doa-se sem medo de quebrar a cara. Visualizar meu perfil completo. Um sorriso tímido. Um barquinho de papel. Um ou dois para sempres. Uma pipa atravessando as nuvens. Uma sementeira de tulipas. Um par de meias listradas. Dois ou três cata-ventos. Uma palavra inventada. Minha estante. Pesquisar este blog. Eu por Clarice Lispector: "Abro o jogo. E nem a mim mesma.

    Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupem. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Ali deu de ombros. Talvez um revólver novo? Como o filho, Ali era incapaz de mentir. E, todo ano, os seus olhos o traíam e conseguíamos tirar dele todas as informações. Desta vez, porém, parecia estar dizendo a verdade.

    Houve uma época em que perguntava o que ele queria, mas desistiu de fazer isso porque Hassan era sempre modesto demais para sugerir um presente de verdade. Assim, baba acabava sempre escolhendo ele mesmo alguma coisa.

    No ano passado, surpreendeu Hassan com um chapéu de cowboy, igualzinho ao que Clint Eastwood usava em O bom, o mau e o feio — que tinha substituído Sete homens e um destino como nosso western favorito.

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    Tiramos as luvas e as botas cheias de neve na porta da frente. Hassan e eu nos entreolhamos espantadíssimos. Nenhuma sacola. Nenhum brinquedo.

    Kumar — disse ele. Ele falava farsi com um leve e ondulante sotaque hindi. Fez um aceno com a cabeça, mas os seus olhos procuravam o pai às suas costas. Baba percebeu o olhar desconfiado — e desconcertado — de Hassan. Kumar, de Nova Delhi. Hassan abanou a cabeça. Olhou para mim pedindo socorro, mas dei de ombros. O seu rosto estava impassível como sempre, embora houvesse um quê de seriedade nos seus olhos.

    Kumar —, o meu trabalho é consertar coisas no corpo das pessoas. Às vezes no rosto delas. Os seus olhos foram do dr. Kumar para baba e, depois, para Ali. Mas este é um presente que vai ficar para sempre. Kumar sorrindo gentilmente. Na verdade, vou lhe dar um remédio e você nem vai se lembrar de nada. E retribuiu o sorriso aliviado. Mas nem tanto Por que baba tinha esperado eu fazer dez anos para mandar me circuncidarem é uma coisa que nunca consegui entender, e que nunca vou perdoar.

    Adoraria ter também algum tipo de cicatriz que atraísse a simpatia de baba. A cirurgia foi um sucesso. Ficamos todos um pouco chocados da primeira vez que removeram os curativos; no entanto, continuamos sorrindo, obedecendo às instruções do dr. Achei que ele ia gritar horrorizado quando a enfermeira lhe deu o espelho.

    Cheguei o ouvido bem perto da sua boca. Ele sussurrou de novo. Estava sorrindo. O inchaço foi diminuindo e, com o tempo, a ferida cicatrizou. No inverno seguinte, era apenas uma leve cicatriz. O que é bastante irônico. Porque foi justamente nesse inverno que Hassan parou de sorrir. Enfio um punhado de neve na boca, fico ouvindo aquele silêncio abafado que só é rompido pelos grasnidos dos corvos. Desço os degraus, descalço, e chamo Hassan para vir ver também.

    E pipas, é claro. Soltar pipas. Lembro de um menino, Ahmad, que morava do outro lado da rua. Seu pai era uma espécie de médico, acho eu. Puxava o cobertor até o queixo e ficava olhando as colinas cobertas de neve que se viam pela janela. Ficava olhando para elas até pegar no sono outra vez. Adorava o inverno em Cabul.

    Adorava por causa do suave tamborilar na minha janela à noite, quando estava nevando; por causa do barulhinho da neve fresca debaixo das minhas galochas pretas; do calor do fogareiro de ferro fundido enquanto o vento assobiava pelos quintais e pelas ruas.

    Mas principalmente porque, quando as arvores ficavam congeladas e a neve recobria as estradas, o gelo entre mim e baba diminuía um pouco. Rolava na cama, fazia animais de sombra na parede, chegava até a ir sentar na varanda no escuro enrolado em um cobertor.

    Eu me sentia como um soldado tentando dormir na trincheira na véspera de uma batalha importante. Em Cabul, empinar pipas era um pouco como ir para a guerra.

    Como em toda guerra, você precisa se preparar para uma batalha. Durante algum tempo, Hassan e eu fizemos as nossas próprias pipas. E, é claro, tínhamos que fazer também a nossa própria linha, ou tar. Quando a neve derretia e começavam a cair as chuvas da primavera, todos os meninos de Cabul ostentavam nos dedos talhos horizontais, traços reveladores de um inverno inteiro passado nessas batalhas.

    Lembro de como os meus colegas e eu nos reuníamos para comparar as cicatrizes de guerra no primeiro dia de aula. Uma falha ou outra o nosso projeto sempre acabava determinando o seu destino. Baba comprava para cada um de nós três pipas idênticas e carretéis de linha com cerol.

    Se eu mudasse de idéia e resolvesse pedir uma pipa maior e mais extravagante, ele a baixaria, mas baixaria a mesma também para Hassan. Que me deixasse ser o seu favorito. As pessoas se amontoavam pelas calçadas e pelos telhados, torcendo pelos filhos. Todo pipeiro tinha um assistente — no meu caso, Hassan —, que ficava segurando o carretel e controlando a linha. Hassan e eu nos entreolhamos. E caímos na gargalhada. Cultivam os costumes, mas abominam as regras.

    Empine a sua pipa. E boa sorte.

    A brincadeira começava mesmo depois que uma pipa era cortada. Uma vez, um garoto da vizinhança subiu em um pinheiro para apanhar uma pipa. O galho quebrou com o seu peso e ele caiu de mais de dez metros de altura. Quebrou a espinha e nunca mais voltou a andar. Mas caiu segurando a pipa. É o costume. Era como um troféu, algo a ser posto em um lugar de destaque e exibido para as visitas. Procuravam se posicionar de jeito a estarem prontos para a largada.

    Pescoços espichados. Olhos apertados. Surgiam as brigas. Mas Hassan foi de longe o melhor que jamais vi. Estamos indo para o lado errado! Cheguei na esquina e vi Hassan, que continuava correndo, de cabeça baixa, sem nem mesmo olhar para o céu, com as costas da camisa encharcadas de suor.

    Quando me levantei, avistei Hassan que desaparecia dobrando uma outra esquina. Hassan trincou uma amora. Eu mal podia respirar, e ele nem parecia cansado. Ele se virou para mim. Algumas gotinhas de suor escorriam de sua cabeça raspada. De repente, resolvi implicar com ele. Você faria isso? Ele me lançou um olhar desconcertado. Mas havia algo de fascinante, embora de um jeito doentio, em implicar com Hassan.

    Era um pouco como brincar de torturar insetos. Só que, agora, ele era a formiga e eu é que estava segurando a lupa. Ele ficou me encarando por um bom momento. Simplesmente Hassan.

    Baixei os olhos. Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam. E, com isso, Hassan me propôs um pequeno teste. Dei um sorriso forçado. Ele também sorriu. Levantou-se e deu uns poucos passos para a esquerda. Ouvi correria, gritos, um monte de outros caçadores que se aproximavam.

    Mas estavam perdendo seu tempo. Porque Hassan ficou parado ali, de braços abertos, sorrindo, à espera da pipa. Ali tinha servido o jantar mais cedo — batatas e couve-flor ao curry com arroz — e tinha ido se deitar juntamente com Hassan. Baba estava engordando o cachimbo, como dizia, e eu lhe pedi que me contasse aquela história sobre o inverno em que um bando de lobos desceu das montanhas de Herat, obrigando as pessoas a ficarem trancadas em casa por uma semana.

    O que acha? Fiquei sem saber o que pensar. Ou o que dizer. Eu era bom empinando pipas. Na verdade, era muito bom Umas poucas vezes estive bem perto de ganhar o campeonato de inverno — certa feita, fiquei entre os três finalistas. Ele estava acostumado a vencer, vencer em tudo o que resolvesse fazer. E imagine só se eu ganhasse Baba ficou fumando seu cachimbo e falando.

    Fingi estar ouvindo. Eu ia ganhar. Mostrar a ele, de uma vez por todas, que o seu filho tinha valor. Fiquei sonhando: imaginei conversas e risos durante o jantar, em vez daquele silêncio só rompido pelo barulho dos talheres e algum grunhido ocasional.

    Vi nós dois saindo de carro, na sexta-feira, rumo a Paghman, com uma parada no lago Ghargha para comer truta frita com batatas. Talvez até lesse uma das minhas histórias. Seria capaz de escrever uma centena delas se achasse que ele leria uma que fosse Talvez ele me chamasse de Amir jan, como Rahim Khan fazia.

    Baba estava falando de quando cortou quatorze pipas em um dia só. Mais cedo, pedi a Ali que preparasse o kursi para nós — basicamente um aquecedor elétrico instalado sob uma mesa baixa recoberta com um edredom bem gros- so. Em volta da mesa, ele pôs colchões e almofadas e, desse jeito, umas vinte pessoas poderiam se sentar e enfiar as pernas ali embaixo.

    Comprei o dez de ouros de Hassan e joguei para ele dois valetes e um seis. Ao lado, no escritório, baba e Rahim Khan estavam tendo uma conversa de negócios com dois outros homens, um dos quais reconheci como sendo o pai de Assef. Hassan deixou o seis e apanhou os valetes. Suponho que fosse porque, como eles, a maioria dos iranianos era xiita.

    Uma para você, outra para mim. Ouvi-lo dizer isso me deixou triste. Triste por ele ser o que era, por morar onde morava. Pelo fato de aceitar que ia crescer naquela cabana do quintal, exatamente como tinha acontecido com seu pai.

    Hassan pegou as damas. Isso era um dos problemas com Hassan. Ganhei, mas, enquanto embaralhava as cartas para uma outra partida, tive a clara suspeita de que Hassan tinha me deixado ganhar. Fazia sol, a temperatura estava ótima e o lago estava límpido como um espelho. Mas ninguém estava nadando porque andavam dizendo que um monstro tinha vindo para o lago.

    De repente, você descalçou os sapatos, Amir agha, e tirou a camisa. Mergulhei também e saímos os dois nadando. Seja como for, todo mundo começou a gritar: "Saiam daí! Saiam daí! Pareciam formiguinhas, mas podíamos ouvir os seus aplausos.

    Agora estavam vendo. Ele passou geléia no meu naan e botou em um prato. Tinha esperanças que você me explicasse. Meu pescoço e minhas costas estavam parecendo molas bem enroladas, e meus olhos pinicavam. De todo modo, tinha sido uma peste com Hassan. Hassan ia compreender que eu estava nervoso.

    Ele sempre compreendia o que acontecia comigo. A neve recobria todos os telhados e pesava sobre os ramos das amoreiras mirradas que margeavam a nossa rua. Durante a noite, tinha se infiltrado em cada fenda ou vala. Nunca tinha visto tanta gente em nossa rua. Das ruas adjacentes, podíamos ouvir gente rindo e conversando. No palco ou nas festas, ele desprezava a atitude austera e quase soturna dos cantores de antigamente e chegava mesmo a sorrir enquanto cantava — às vezes até para as mulheres.

    Baba acenou. Ele estava usando botas de neve de borracha preta, um chapan verde brilhante por cima de uma suéter bem grossa e uma calça de veludo cotelê desbotada. De repente, me deu vontade de desistir. Pegar as minhas coisas e ir embora para casa. O que é que estava pensando? Sentia o seu olhar no meu corpo como a gente sente o calor do sol ardente. Ia ser um fracasso estrondoso, mesmo para alguém como eu Passei o peso do corpo de um pé para o outro.

    Talvez seja melhor voltar. E era eu que ia ao colégio. Era eu que sabia ler e escrever. Era eu o inteligente. Era um tanto perturbador, mas também um pouco reconfortante ter alguém que sempre sabia do que você estava precisando.

    Ele fechou os olhos e fez que sim com a cabeça. Olhei para aquelas crianças correndo pela rua, atirando bolas de neve. Ocorreu-me que talvez Hassan tivesse inventado aquele sonho. Seria possível? Talvez devesse tirar a camisa e nadar no lago. Ergueu a nossa pipa vermelha com as bordas amarelas e que trazia, logo abaixo do ponto em que as varetas se cruzam, a marca inconfundível da assinatura de Saifo.

    Ficou segurando a pipa bem acima da cabeça, como um atleta olímpico que exibe a medalha de ouro. Dei dois puxões na corda, o sinal combinado entre nós, e ele soltou a pipa. Respirei fundo e comecei a puxar a corda.

    Em um minuto, a minha pipa estava subindo vertiginosamente pelos ares. Hassan aplaudiu, assobiou, e correu de volta para perto de mim. Segurei firme na linha, e lhe entreguei o carretel que ele girou bem depressa para enrolar novamente a parte que tinha ficado solta.

    Havia pelo menos umas vinte e tantas pipas no céu, como tubarões de papel perambulando à cata de uma presa. Um vento frio soprava em meu cabelo. Era o vento perfeito para empinar pipas, apenas forte o bastante para dar a elas alguma altitude e facilitar os movimentos. Era possível ouvi-los gritando e correndo pelas ruas. Alguém anunciou que tinha começado uma briga dois quarteirões adiante. É isso que acontece quando a gente empina pipas: nossa cabeça sai voando junto com elas.

    Agora, caíam pipas por todo lado e a minha ainda estava no ar. A minha ainda estava no ar. Uma pipa vermelha estava se aproximando da minha.

    Eu a notei bem na hora. Embolei um pouco com ela, mas acabei levando a melhor quando o outro empinador ficou impaciente e tentou me cortar por baixo.

    Por todo canto, viam-se aqueles caçadores que voltavam triunfantes, erguendo bem alto as pipas que tinham capturado, exibindo-as para os pais e os amigos.

    Todos sabiam, porém, que o melhor ainda estava por vir. O maior dos prêmios ainda estava voando. Derrubei uma pipa amarela brilhante, com uma rabiola branca toda enrola- dinha. Mandei Hassan segurar a linha e, depois de chupar o sangue, esfreguei bem o dedo na calça jeans.

    Consegui estar entre as doze finalistas. As sombras começaram a aumentar. Os espectadores que estavam nos telhados se agasalharam ainda mais, com cachecóis e casacos bem grossos. As minhas pernas doíam e o meu pescoço es- tava duro. Hassan estalou a língua e esticou o queixo para a frente. A azul cortou uma outra pipa grande e roxa, e, majestosa, deu duas voltas no ar. Dez minutos depois, derrubou mais duas, fazendo milhares de garotos saírem desabalados ao seu encalço.

    Meia hora depois, só restavam quatro pipas. E eu ainda estava voando. Parecia praticamente impossível fazer algum movimento errado. Era como se todas as rajadas de vento soprassem a meu favor. Estava embriagado. Precisava me concentrar, ficar ligado no que estava fazendo. O da pipa azul.

    O cheiro de mantu no vapor e de pakora frito se espalhava pelo ar, vindo dos telhados e das portas abertas. Tudo o que ouvia, porém — tudo o que me permitia ouvir —, era o pulsar do sangue na minha cabeça.

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    Tudo o que via era a pipa azul. Tinha agüentado muito, chegado longe demais. E, de repente, em um piscar de olhos, a esperança virou certeza. Acabou acontecendo mais cedo do que eu imaginava. Uma rajada de vento fez a minha pipa subir e fiquei em vantagem. Com isso, a minha pipa fez um looping e ficou acima da azul. A pipa azul sabia que estava em apuros. O coro "Derrube! Fechei os olhos e afrouxei a pegada na linha. Cortei os dedos novamente quando o vento arrastou a minha pipa. Hassan estava gritando e tinha passado o braço pelo meu pescoço.

    Bravo, Amir agha! Abri os olhos e o que vi foi a pipa azul rodopiando loucamente como um pneu que se solta de um carro em alta velocidade. Casaco de couro preto, cachecol vermelho, calça jeans desbotada. O vento despenteava os seus cabelos castanho-claros. Ele ergueu os olhos para mim e sorrimos um para o outro.

    Abracei Hassan com o braço que estava livre e começamos a pular, ambos rindo, ambos chorando. Você ganhou! Nós ganhamos! Me aprontar. Ficar esperando por baba. De volta à minha velha vida. Estava de pé na mureta, agitando ambos os braços.

    Gritando e aplaudindo. Agora, vou apanhar aquela pipa azul para você — acrescentou. Parou e se virou. Comecei a recolher a minha pipa e as pessoas vinham correndo para me dar parabéns. Cumprimentei a todos, agradeci. As crianças menores me olhavam com um brilho de respeito nos olhos.

    Eu era um herói. Fui puxando a linha, retribuindo os sorrisos de todos, mas só pensava mesmo naquela pipa azul. Enrolei no carretel a linha solta que estava amontoada junto dos meus pés, cumprimentei mais algumas pessoas e corri para casa.

    Voltei correndo para a rua. Nem perguntei a Ali onde estava meu pai. Todas as cabeças iam se virar e os olhos ficariam pregados em mim. Rostam e Sohrab se avaliando mutuamente. E depois? Felizes para sempre, é claro. O que mais poderia ser? As ruas de Wazir Akbar Khan eram numeradas e haviam sido traçadas formando ângulos retos, como se fosse uma grade.

    Corri para cima e para baixo, passando por todas as ruas, à procura de Hassan. Em todo canto, as pessoas estavam atarefadas dobrando cadeiras guardando comida e arrumando as coisas depois de um longo dia de festa. Algumas delas, ainda sentadas nos telhados, gritavam para me dar parabéns. Quatro ruas ao sul da nossa, vi Omar, filho de um engenheiro amigo de baba. Omar era um sujeito bem legal. Tínhamos sido colegas na terceira série e, certa vez, ele me deu uma caneta-tinteiro, daquele tipo que a gente recarrega com um cartucho.

    Você viu Hassan? Fiz que sim com a cabeça. Omar a pegou, fazendo-a quicar para cima e para baixo. Quero dizer, com aqueles olhinhos apertados, como é que pode ver alguma coisa? Omar o ignorou. Sem se virar, Omar apontou para o sudoeste com o polegar.

    No entanto, hoje à noite ele ia deixar de fazer as suas orações, e por minha causa. O bazaar estava ficando vazio bem depressa, com os mercadores encerrando os negócios do dia. Parei em uma tenda que vendia frutas secas, descrevi Hassan para um velho mercador que estava pondo caixotes de pinhões e uvas passas no lombo de uma mula e usava um turbante azul-claro. Ele parou o que fazia para me olhar por um bom momento e só depois me respondeu.

    Ele me olhou dos pés à cabeça. O velho ergueu as sobrancelhas grisalhas. Ele apoiou o braço no lombo da mula e apontou para o sul. Uma pipa azul. Grande Hassan. O bom, velho e leal Hassan. Cumpriu a promessa e pegou aquela pipa para mim.

    Todos vestidos assim como você. Talvez os olhos do velho mercador o houvessem traído. Acontece que ele tinha visto a pipa azul. Metia a cabeça em cada ruela, em cada tenda.

    Nem sinal de Hassan. Cheguei a uma rua deserta e lamacenta, perpendicular ao fim da avenida que passava bem no meio do bazaar. Dobrei a esquina da ruela esburacada e fui seguindo o som das vozes. De um dos lados da estreita passagem havia um barranco cheio de neve, onde, na primavera, talvez corresse um riacho. Voltei a ouvir aquelas vozes, agora mais altas, vindo de um desses corredores. Fui me esgueirando até a entrada.

    No final do beco sem saída, vi Hassan em uma pose desafiadora: punhos cerrados, pernas ligeiramente afastadas. Wali estava parado de um lado, Kamal, do outro, e, no meio, Assef. Senti o corpo todo se contrair e alguma coisa gelada escorreu pelas minhas costas. Assef parecia relaxado, confiante.

    Os dois outros, nervosos, trocavam constantemente o pé de apoio, olhando ora para Assef, ora para Hassan, como se houvessem acuado algum tipo de animal selvagem que só Assef fosse capaz de domar.

    Assef, o Caolho. Realmente brilhante. Exalei bem devagarinho, sem fazer barulho. Estava me sentindo paralisado. Estava de costas para mim, mas eu podia apostar que estava rindo.

    O que acham disso, rapazes? Tentou falar no mesmo tom de deboche, mas a sua voz saiu um tanto trêmula. Mesmo do lugar em que estava, pude ver o medo se instalando nos olhos de Hassan, mas ele abanou a cabeça.

    Essa pipa é dele. Leal como um cachorro — disse Assef. O riso de Kamal soou estridente, nervoso. Eu lhe digo por quê, hazara. E me pareceu que tinha ficado vermelho. Algum dia você vai acordar dessa sua fantasia e descobrir que ótimo amigo ele é.

    Agora, bas! Chega de lengalenga. Hassan se abaixou e pegou uma pedra. Assef vacilou. Assef desabotoou o casaco, tirou-o e, deliberadamente, dobrou-o com todo cuidado, pondo-o junto do muro. Abri a boca e quase disse algo.

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    O resto da minha vida poderia ter sido bem diferente se eu tivesse dito alguma coisa naquela hora. Só fiquei olhando. Vou deixar que fique com ela para que nunca se esqueça do que vou fazer agora.

    Hassan atirou a pedra, atingindo Assef na testa. Wali e Kamal o seguiram. Fechei os olhos. Sabia disso, Amir agha? Ela se chamava Sakina. Era uma linda hazara de olhos azuis, nascida em Bamiyan, e cantava para vocês velhas cantigas de casamento. Sabia disso? Só uma rupia por cabeça, e abrirei para vocês as cortinas da verdade. Os seus olhos cegos eram como prata derretida encrustada em duas crateras profundas, idênticas.

    Uma rupia por cabeça. Eu ponho outra. Uma sombra percorre o rosto do cego. Vira-se para mim. Do outro lado do muro, um galo canta.

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    Um sonho: Estou perdido em uma tempestade de neve. O vento assobia atirando pedacinhos de gelo que espetam os meus olhos. Vou cambaleando, os pés afundando em camadas daquela brancura fofa.

    Volto a gritar, com a esperança sumindo como as marcas dos meus passos. Uma forma familiar se materializa. Vejo profundos talhos paralelos cortando a sua palma e o sangue escorrendo, tingindo a neve.

    Estamos em um campo de relva verde-clara e macios flocos de nuvens deslizam no céu. Olho para cima e vejo o céu claro coalhado de pipas verdes, amarelas, vermelhas, laranja.

    Elas cintilam à luz do entardecer. Pneus de bicicleta velhos, garrafas com os rótulos arrancados, revistas rasgadas, jornais amarelados, tudo jogado em meio a uma pilha de tijolos e de placas de cimento. Um fogareiro de ferro enferrujado, com um enorme furo em um dos lados, estava apoiado no muro. Uma delas era a pipa azul encostada no muro, perto do tal fogareiro enferrujado; a outra era a calça de veludo cotelê marrom de Hassan jogada sobre uma pilha de tijolos danificados.

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    Ele parecia hesitante, excitado, assustado, tudo ao mesmo tempo. Assef estava de pé, acima deles, pressionando, com o salto da bota de neve, a nuca de Hassan. Mas Kamal manteve os olhos voltados para o outro lado.

    Wali e Kamal concordaram com um gesto de cabeça. Ambos pareciam aliviados. Baixou o fecho ecler da calça jeans. Fez o mesmo com a cueca.

    Nem mesmo se lamentou. Virou a cabeça lentamente e pude ver o seu rosto de relance. O olhar de um cordeiro. Como sempre, baba escolheu pessoalmente o carneiro para esse ano: ele era branco e peludo, com umas orelhas negras meio descaídas.

    Estamos todos de pé, no quintal dos fundos: Hassan, Ali, baba e eu. Um segundo antes de ele cortar a garganta do carneiro com um golpe certeiro, vejo os olhos do animal. E um olhar que vai assombrar os meus sonhos por semanas a fio. Mas sempre assisto. E um absurdo, mas imagino que o carneiro entende. Imagino que ele vê que aquela morte iminente tem um propósito mais elevado.

    Alguma coisa quente escorria pelo meu pulso. E com tanta força que cheguei a tirar sangue das juntas. Percebi outra coisa também. Estava chorando. Poderia entrar no beco, ir defender Hassan — do mesmo jeito que ele me defendeu todas aquelas vezes no passado — e aceitar o que quer que viesse a acontecer comigo.

    Ou podia sair correndo. E, afinal, saí correndo. Saí correndo porque era um covarde. Tinha medo de Assef e do que ele pudesse fazer comigo. Tinha medo de me machucar. Foi o que disse a mim mesmo quando dei as costas para o beco e para Hassan.

    Foi disso que me convenci. Talvez Hassan fosse o preço que eu tinha que pagar, o cordeiro que tinha de sacrificar, para conquistar baba. Era um preço justo? Voltei correndo por onde viera. Voltei correndo pelo bazaar quase deserto. Titubeando, parei em uma daquelas tendas e me encostei na porta trancada. Fiquei ali ofegando, suando, desejando que as coisas tivessem tomado outro rumo. Uns quinze minutos depois, ouvi vozes e tropel de passos.

    Me obriguei a esperar mais uns dez minutos. Nós nos encontramos diante de uma bétula desfolhada que ficava na margem do barranco.

    O chapan de Hassan estava todo sujo de lama na frente, e a sua camisa, rasgada logo abaixo do colarinho. Ele parou. Depois, conseguiu recuperar o equilíbrio. E me entregou a pipa. Procurei por toda parte — disse eu.

    E ao dizer essas palavras, senti como se estivesse mastigando uma pedra. Esperei que dissesse alguma coisa, mas ficamos parados ali em silêncio, à luz do fim do dia. Benditas sombras do anoitecer, que encobriam o rosto de Hassan e escondiam o meu. E se soubesse, o que eu veria se efetivamente olhasse nos seus olhos?

    Começou a dizer algo, mas sua voz falhou. Fechou a boca, voltou a abri-la e, depois, a fechou novamente. Enxugou o rosto.

    E isso foi o mais perto que Hassan e eu chegamos de uma conversa sobre o que tinha acontecido no beco. Ou aquelas gotinhas que iam pingando por entre as suas pernas, deixando marcas escuras na neve. Afastou-se de mim e saiu mancando. Abri a porta do escritório enfumaçado e entrei.

    Ambos viraram a cabeça. Ele abriu os braços. Enterrei a cabeça no calor do seu peito e chorei.

    Khaled Hosseini – O Caçador De Pipas

    Nos seus braços, esqueci o que tinha feito. E isso foi ótimo. E, em geral, também cantava, encobrindo com a voz o chiado do ferro a vapor. Eram velhas cantigas hazara que falavam de campos de tulipas, Agora, só as roupas dobradas estavam esperando por mim.

    Perguntei onde estava Hassan. Posso lhe perguntar uma coisa? Fiquei calado. Simplesmente, continuei a fazer o ovo cozido girar pelo prato. Inshallah, você me contaria se tivesse acontecido algo? Como posso saber se tem alguma coisa errada com ele? Às vezes as pessoas ficam doentes, Ali. Ultimamente vinha concordando com tudo que eu pedisse. Por que baba tinha que estragar tudo daquele jeito?

    Ali disse que ele tem estado de molho, que passa quase o tempo todo dormindo. Vamos na sexta, baba? Acho que você se divertiria muito mais se ele fosse conosco. Ele sorriu. Piscou os olhos. Mas, na quarta-feira à noite, meu pai deu um jeito de convidar mais umas vinte pessoas. Ligou para seu primo Homayoun — na verdade, seu primo em segundo grau — e mencionou que estava indo para Jalalabad na sexta.

    Enchemos três caminhonetes. Fiquei fitando aquela estrada cheia de altos e baixos, que ia subindo e descendo, enroscando a cauda no flanco da montanha; fui contando os caminhões de todas as cores que passavam por nós, carregados de indivíduos acocorados. Tentei fechar os olhos, deixar que o vento batesse no meu rosto, e abri a boca para engolir aquele ar puro. De repente, alguém me cutucou.

    Kaka Homayoun e suas esposas estavam sorrindo para mim do banco do meio. Sem laaf. Sua primeira esposa, a que tinha as tais verrugas, bateu palmas.

    Só Rahim Khan, sentado no banco do carona ao lado de baba, continuava calado. E me olhava de um jeito estranho. Fechei os olhos e virei o rosto para o sol. Elas rodopiavam, se fundiam e formavam uma só imagem: a calça de veludo cotelê marrom de Hassan jogada em uma pilha de tijolos naquele beco. Os filhos de kaka Homayoun estavam brincando de esconde-esconde do outro lado do jardim. Baba, Rahim Khan, kaka Homayoun e kaka Nader estavam fumando na varanda. Kaka Homayoun dizia que tinha trazido o projetor para mostrar os slides da sua viagem à França.

    Baba e eu finalmente éramos amigos. Depois, fomos comer kabob no Dadkhoda em frente ao cinema Park. Comemos kabob de carneiro com naan fresquinho, saído do tandoor. Aquilo tudo deveria ter sido bem divertido: passar um dia assim com baba e ficar ouvindo as suas histórias.

    Finalmente, eu estava tendo o que desejei durante todos esses anos. Ao pôr-do-sol, as esposas e as meninas serviram o jantar — arroz, kofta e qurma de galinha. Só se ouvia a sua voz possante na sala. As pessoas erguiam a cabeça, me davam parabéns. Senti como se tivesse levado uma facada no olho.

    Mais tarde, bem depois da meia-noite, meu pai e seus primos, que tinham passado algumas horas jogando pôquer, foram se deitar. As mulheres foram para o andar de cima. Fiquei me revirando para um lado e para o outro, ouvindo os meus parentes resmungando, suspirando e roncando enquanto dormiam. Uma réstia de luar penetrava pela janela. Meu pai se remexeu dormindo. Kaka Homayoun soltou um grunhido. Mas ele estava enganado a este respeito.

    Tinha um monstro no lago, sim. Ele agarrou Hassan pelos quadris e o arrastou para o fundo tenebroso. Esse monstro era eu. Foi a partir dessa noite que passei a ter insônia. Tinha comido muito pouco no almoço e Hassan estava tirando a mesa. Respondi que estava cansado. Ele também parecia cansado: tinha emagrecido e dois círculos escuros tinham se formado em torno dos seus olhos inchados.

    Mas, quando perguntou novamente, aceitei, embora com relutância. Caminhamos até o topo da colina, com as botas deslizando na neve enlameada. Nenhum dos dois disse coisa alguma. Nunca devia ter vindo até a colina. Ele me pediu para ler uma história do Shahnamah e eu lhe disse que tinha mudado de idéia. Que tudo o que queria era voltar para o meu quarto. Hassan desviou os olhos e deu de ombros. Descemos a colina exatamente do jeito que tínhamos subido: em silêncio. E pela primeira vez na vida, eu mal podia esperar pela chegada da primavera.

    Lembro que ficava razoavelmente feliz quando baba estava em casa. Comíamos juntos, saíamos para ver um filme, visitar kaka Homayoun ou kaka Faruq. Até me pediu que lesse algumas das minhas histórias para ele. Isso era bom e cheguei a acreditar que fosse durar para sempre. E baba também acreditou, acho eu. Mas quando baba saía — e ele saía muito — eu ficava trancado no quarto.

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    Lia um livro a cada dois dias, escrevia histórias, aprendia a desenhar cavalos. Para meu desespero, Hassan continuou tentando fazer as coisas entre nós voltarem às boas. E se calou. Algo esbarrou na porta, talvez a sua testa. Queria que me dissesse. Enterrei a cabeça no peito, apertando as têmporas com os joelhos como se fosse um torno. Desejei que ele revidasse, que arrombasse a porta, que me dissesse poucas e boas.

    Desabei na cama, enfiei a cabeça debaixo do travesseiro, e chorei. Eu tomava todas as precauções para que os nossos caminhos se cruzassem o mínimo possível, planejando os meus dias neste sentido. Porque, quando ele estava por perto, o oxigênio desaparecia do aposento. Sentia o peito apertado e tinha dificuldade para respirar; ficava ali, sufocando na minha bolhazinha de atmosfera absolutamente abafada. Tinha tomado um susto. O que foi que você disse? Estava realmente arrependido de ter dito aquilo.

    Ele calçou as luvas outra vez. E Hassan Baixei a cabeça e peguei um punhado daquela terra fria. É o seu lar e nós somos a sua família. Nunca mais me faça uma pergunta dessas! Me desculpe. Acabamos de plantar as tulipas em silêncio. Fiquei aliviado quando as aulas recomeçaram na semana seguinte. Baba foi embora sem se despedir.

    A sineta tocou e, em fila, dois a dois, fomos para a sala de aula que seria a nossa. Quando o professor de farsi distribuiu os nossos livros de textos, rezei para que ele passasse toneladas de dever de casa. A escola me dava um pretexto para passar horas e horas no meu quarto. Mas minha cabeça acabava sempre voltando para aquele beco. Para a calça de veludo cotelê marrom jogada na pilha de tijolos.

    Para o sangue que pingava, manchando a neve de um vermelho escuro, quase negro.